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Fazer jornalismo não é tão fácil quanto se imagina. Fazer o bom jornalismo então, é ainda mais complicado. No entanto, tem gente que consegue estragar o bom trabalho feito por gente que colocou a profissão em alta aqui no Brasil. O texto que estará no link abaixo merece reflexão. O Caso Veja como vem sendo chamado, foi escrito pelo jornalista Luiz Nassif. É importante, antes de mais nada, lembrar que todos têm seus interesses em uma situação como esta. No entanto, para nós, comunicadores, essa leitura é fundamental. O Caso Veja derruba por terra questões cruciais do jornalismo. Os critérios jornalísticos para a publicação de matérias e o filtro técnico são o que impedem, em última instância, as manipulações. Veja deixou isso de lado. Não é demais lembrar, como diz Nassif, que "o primeiro filtro sobre uma matéria é avaliar se os fatos relatados são verossímeis. Se passar nesse teste básico, é que se irá conferir se, mesmo sendo verossímeis, também são verdadeiros." Elementar, já diria o famoso detetive. No entanto, isso também foi abandonado pela revista.
Como já antecipei, o objetivo aqui não é fazer com vocês gostem ou desgostem da revista, mas ver, de frente, o que ela e alguns de seus jornalistas fazem para conseguir o que querem. E mais: a rede se forma com coleguinhas de outras redações, capazes de passar por cima de critérios éticos para não deixar seus parceiros na mão. Com isso, sabendo disso e prestando atenção na revista, vemos que, como diz Nassif, "tornaram-se cada vez mais freqüentes as matérias absurdas, sem nexo, sem conhecimento básico sobre economia, finanças, valores, relações de causalidade. Sobre jornalismo, enfim."
Leiam e tirem suas próprias conclusões. É uma boa aula de jornalismo. Ou melhor, como NÃO fazer jornalismo. Esse debate precisa ser feito nas redações sob pena de vermos escorrer pelo ralo o conceito de seriedade que ainda temos junto ao público. Ah, postem aqui seus comentários... e boa leitura!
link: http://luis.nassif.googlepages.com/home
Aqui vai mais uma colaboração. O Blog Imprensa Marrom (http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/) traz uma longa e boa análise sobre uma das matérias da última edição de Veja. A matéria trata dos cartões corporativos, uma farra que foi feita pelos Governos com dinheiro público. Busquem o post do dia 22 de março com o seguinte título: VEJA: ASSESSORIA DE IMPRENSA DE FHC E AMEAÇA EXPRESSA AO GOVERNO ou DE COMO NÃO DAR UMA NOTÍCIA E "CULPAR" AS EVENTUAIS FONTES DE UM FATO GRAVÍSSIMO. Vale realmente a pena ler. É mais uma prova do mau jornalismo feito por esta revista brasileira. Cabe uma observação antes da leitura: o jornalista que assina o blog fala o que quer desde sempre. Nunca foi partidário petista, bem pelo contrário. Portanto, sua avaliação deve ser considerada séria.
Quando o jornalístico Aqui Agora entrou no ar em 1991 pelo SBT, muitos achavam que era o fim. Sangue de montão, apresentadores sensacionalistas e muitos cadáveres, além de uma figura indefectível com uma forma de narrar tão peculiar quanto estranha (Gil Gomes), povoavam a tela da tevê todos os dias. Celso Russomano, que fazia o papel de apaziguador no programa com seu "estando bem para ambas as partes" acabou se elegendo Deputado Federal, graças à popularidade alcançada pelo programa (vejam, só). Nesta segunda-feira o SBT retoma o programa e o coloca novamente na grade. É bom dar uma olhadinha e ver o que o SBT entende por popular. Vejam os destaques abaixo do site Comunique-se. Para quem não acompanhou e quer ver, busque no Youtube por "Aqui Agora", "Gil Gomes", "Celso Russomano"... vocês verão o que era.
Aqui Agora retorna no dia 3/3 com diversas participações
A estréia da nova versão do Aqui Agora na segunda-feira (03/03) traz um telejornal com direito à participação de Hermano Henning, Sofia Camargo, e de estudantes universitários uma vez por semana. Das 18h às 19h15min, o quarteto Luiz Bacci, Herberth de Souza, Christina Rocha e Joyce Ribeiro comandam um telejornal popular, com 14 repórteres exclusivos, 70 profissionais de imprensa e suporte do jornalismo das mais de cem emissoras afiliadas ao SBT em todo o País.
Hermano Henning vai apresentar o quadro Rota de Fuga, de cinco minutos, semelhante ao Linha Direta, da TV Globo, que, inclusive, deixou a grade fixa de programação da concorrente do canal de Silvio Santos. A equipe vai contar histórias de crimes não resolvidos, mostrando quem é a vítima e o criminoso foragido.
Pergunte a Sofia será comandado pela jornalista Sofia Camargo, colunista do UOL, que vai responder perguntas voltadas ao bolso do consumidor.
Cerca de 30 universitários serão recebidos uma vez por semana, no cenário do Aqui Agora, para participar de um debate rápido sobre temas importantes do momento.
Uma equipe de repórteres fixos tem a incumbência de fazer reportagens “movimentadas”. São eles Magdalena Bonfiglioli, Celso Russomanno, Sérgio Frias, Carlos Cavalcante, João Leite Neto, Luíz Ceará, Eric Klein, Antonio Guerreiro, Ricardo Martins, Paulo Corrêa, Wilson Rosa, Rosane Rodrigues e Marcus Marinho. A assessoria do SBT não repassou o 14º nome.
Dos apresentadores, destacam-se Christina, que dividiu a bancada da primeira versão do Aqui Agora com Ivo Morganti, e Felisberto Duarte, que fará a previsão do tempo – ele também apresentava as previsões do tempo do programa que foi ao ar em 1991.
(Do site www.comuniquese.com.br)
Há algum tempo o cerco se fecha em torno da Record aqui no Rio Grande do Sul. São denúncias de contratações irregulares e fechamento de postos de trabalho. É importante esta matéria do site Comunique-se (www.comuniquese.com.br). Cabe lembrar que a Igreja Universal do Reino de Deus (dona da Record) está com mais de 50 ações judiciais contra os jornais Folha de São Paulo e O Globo por matérias ofensivas à Igreja, segundo dizem. Existem, até, denúncias de intimidação de profissionais feitas pela Igreja. O assunto será debatido em sala de aula, com certeza. Enquanto isso, leiam.
Mais polêmicas envolvem a Record no Rio Grande do Sul
Marianna Senderowicz, de Porto Alegre
As últimas semanas não estão sendo fáceis para a administração na Record do Rio Grande do Sul. Depois de uma série de denúncias e boatos sobre demissões e problemas na forma de contratação, a emissora, que passou a produzir programação no território gaúcho há menos de um ano, começa a dar explicações a entidades representativas. Em 22/02, representantes do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SJPRS) e da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) estiveram na sede da emissora em Porto Alegre para discutir contratos de repórteres cinematográficos identificados como radialistas. “Entendemos que todos deveriam ser contratados como jornalistas que são”, afirma José Maria Nunes, presidente do sindicato.
Segundo Nunes, João Batista Rodrigues, diretor da Record no estado, afirmou que fará um estudo para verificar a situação, mas que uma mudança de status não pode ser decidida regionalmente. “Nos foi antecipado que essa seria uma decisão de toda a rede”, conta o dirigente. Ele lamenta algumas posturas do grupo, pertencente à Igreja Universal do Reino de Deus, que se instalou na região com a promessa de incrementar o mercado de trabalho e tem demonstrado pouca preocupação nesse sentido. “Além dos problemas de contratação, muitas pessoas estão sendo afastadas ou substituídas por nomes do eixo Rio–São Paulo, contrariando a idéia de que a emissora levaria programas com a cara do Rio Grande para o centro do país.”
Demissões, férias e informações não-confirmadas
Somente na última semana, diversas exonerações motivaram outra reunião entre representantes de jornalistas e da Record. Com o afastamento de aproximadamente 20 correspondentes da Rádio Guaíba no interior do estado – todos passaram a fornecer conteúdo apenas para o jornal Correio do Povo, também pertencente ao grupo –, o SJPRS lamentou o que classificou de fechamento de postos de trabalho. Na ocasião, a entidade divulgou, juntamente com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), nota de repúdio criticando a atuação administrativa da rede, que elegeu o sindicato dos radialistas como local para a rescisão dos contratos. “(...) O propósito de um plano de expansão do grupo ligado à Igreja Universal está se restringindo, no momento em que demite seus profissionais e, ainda pior, não está reconhecendo os profissionais como jornalistas (...)", dizia o documento.
Paralelamente, pelo menos três comunicadores de renome no Rio Grande do Sul teriam sido demitidos pela TV Record. Luiz Carlos Reche deixou a apresentação do Balanço Geral, que passou a ser comandado pelo paulista Alexandre Mota, e os comentaristas João Garcia e Juremir Machado também teriam sido afastados da programação televisiva. Enquanto isso, Marcos Martinelli deixou a gerência de jornalismo para uma longa “licença não-remunerada”.
O Sindicato dos Radialistas, que se negou a aceitar a rescisão dos correspondentes demitidos no interior, ainda exige apresentação do registro de Mota, solicitado desde a primeira quinzena de fevereiro. Em nota publicada em 22/02, a entidade informa que se não receber o material nos próximos dias tomará providências legais junto à Delegacia Regional do Trabalho. “Anteriormente já tomamos atitudes iguais a esta (...) em defesa da lei 6.615 que protege os profissionais e o mercado de trabalho dos radialistas”, afirma o texto.
Polêmicas em todo o Brasil
A atuação da emissora não está conturbada apenas na região Sul. A recente divulgação de uma foto da jornalista Elvira Lobato, que escreveu reportagens sobre empresas mantidas por pastores da Universal na Folha de S. Paulo, repercutiu não apenas no próprio jornal, como na grande imprensa. Além de críticas de veículos por todo o País, a iniciativa mobilizou diversas entidades nacionais e regionais, que acusassem a Igreja Universal de fazer uma campanha de intimidação contra jornalistas.
Na opinião do presidente do sindicato gaúcho, o grupo está demonstrando confusão a respeito de suas administrações. “Está havendo uma falta de separação entre o que é da igreja e o que é de comunicação”, lamenta. Nunes lembra que no Rio Grande do Sul, por exemplo, a diretoria é exercida por um bispo, e não por um executivo da área. “Infelizmente não há nada que possa ser feito, pois se trata de uma administração empresarial. O que cabe ao sindicato é fiscalizar o setor jornalístico, e isso vamos continuar fazendo.”
Há uma semana o Comunique-se tenta entrevistar um representante da Record sobre as políticas da emissora, mas ainda não foi atendido.
Interessante este texto do Marcelo. As dúvidas reamente são muitas. No entanto, é cada vez mais imperioso que os jornalistas tentem buscar a notícia. É importante que deixem de lado as superficialidades. Aposto que com notícias e jornalismo de nível, os leitores darão respostas positivas de audiência. Podem apostar. Boa leitura!
Do que os leitores gostam
Marcelo Russio (*)
Olá, amigos. O filme "Do que as mulheres gostam", com Mel Gibson, é daqueles que não acrescentam muito à vida de ninguém, mas põe uma pequena pulga atrás da orelha de quem o vê. Essa pulga, como todas as outras, incomoda permanentemente, martelando o seguinte pensamento: "Como eu me sentiria se eu soubesse o que se passa na cabeça de outra pessoa?". Pois é... confesso que esse mesmo sentimento vem, cada vez mais, preenchendo a cabeça de quem trabalha com jornalismo online, especialmente o esportivo, e mais especialmente ainda, no Brasil.
A medição online de audiência de cada notícia que se põe no ar é tão hipnotizadora quanto o monitor do Ibope para as emissoras de TV. Através dela, podemos saber em minutos se uma nota caiu ou não no gosto do leitor e, a partir daí, traçar um perfil de como planejar o dia em termos de destaque e cobertura dos assuntos, já que nunca há braço suficiente em uma redação para cobrir tudo o que se deseja.
Em uma semana em que temos uma seletiva de vela, que reúne medalhistas olímpicos, alguns deles lendas, como Robert Scheidt, e a despedida de Guga, na Costa do Sauípe, a notícia que mais chama a atenção dos leitores é a repercussão dada pela nadadora Joanna Maranhão de que fora molestada por seu treinador quando era criança. Essa e a que conta que um jogador de hóquei no gelo teve a carótida rasgada por um patim de um adversário em uma partida da NHL, nos EUA.
Por essa pequena amostra, vemos que os leitores gostam de duas coisas, a grosso modo: futebol e tragédias. Mas uma rápida olhada nas capas de alguns sites esportivos nos mostra que as gêmeas do nado sincronizado estão em quase todas elas, falando absolutamente nada, apenas posando para fotos do seu patrocinador. Incluamos, portanto, mulher bonita na lista do que mais atrai os leitores.
Portanto, respeitando a regra de que, quando se fala em esporte no Brasil, é imperativo separar o futebol das demais modalidades, e sabendo que qualquer notícia sobre um time do interior do País dá mais audiência que uma nota, por exemplo, sobre Robert Scheidt, desde que não seja sobre a conquista de uma medalha olímpica ou um recorde quebrado, temos um perfil um pouco mais específico: futebol, tragédias e mulher bonita vendem, e muito.
Escândalos, como um vídeo erótico amador que seria protagonizado pelo atacante Vágner Love e uma atriz pornô, e especulações sobre as novas contratações de times de futebol de massa também fazem parte desta lista de preferências máximas dos leitores de esporte do Brasil. E fechando a lista, claro, resultados de jogos de futebol.
Como planejar um dia, portanto, que não tenha tragédias, escândalos, mulheres bonitas, especulações e resultados de jogos de futebol de times de massa? Temos que apelar para a sempre querida Fórmula 1 e para o futebol internacional, de Kaká e Robinho, que nunca nos deixam na mão. Claro que é raro ter um dia em que NADA dos itens citados acima acontece. Pelo menos dois ou três sempre aparecem, e fazem a alegria dos analistas de planilhas. Mas, jornalisticamente, vem sendo um drama cada vez maior conseguir decifrar se o teor de uma nota agradará ou não aos internautas, e se o destaque dado a ela irá ao encontro do interesse de quem acessa os sites esportivos.
Bem que o Mel Gibson poderia dar uma consultoria para as redações...
(*) Jornalista esportivo, trabalha com internet desde 1995, quando participou da fundação de alguns dos primeiros sites esportivos do Brasil, criando a cobertura ao vivo online de jogos de futebol. Foi fundador e chegou a editor-chefe do Lancenet e editor-assistente de esportes da Globo.com.
O resultado da pequisa de confiança na mídia mostrado abaixo é interessante, para dizer o mínimo. Além de evidenciar a confiança (e, de quebra, o quanto temos responsabilidade por isso) que o brasileiro tem na mídia, apresenta hábitos na busca pela informação. Vale a pena conferir e refletir. Boa leitura.
Elite brasileira acredita mais na mídia
Site www.comuniquese.com.br
Vinte e cinco por cento da população brasileira com maior renda familiar têm mais confiança na mídia (64%) do que em empresas (61%), ongs (51%), instituições religiosas (48%) ou até mesmo em seu próprio governo. Os dados fazem parte do Estudo Anual de Confiança da Edelman, empresa de relações públicas. Segundo o levantamento, o Brasil é o terceiro país onde a imprensa tem maior índice de credibilidade, ficando atrás apenas do México (66%) e da Índia (65%).
A pesquisa ouviu 3.100 entrevistados entre 35 e 64 anos, com formação superior e renda familiar entre as 25% maiores de seus países. Considerado um estudo entre líderes de opinião, por parte da consultoria, a pesquisa abrangeu 18 países, como China, Irlanda, Rússia, Estados Unidos, Índia, França, Espanha e Brasil.
Concluiu-se que essa parte da população, em todo o mundo, possui muito interesse em assuntos relacionados à mídia, economia e política.
Os brasileiros recorrem mais aos jornais impressos (87%) e à TV (82%) como primeira fonte de informação. Em seguida, procuram as informações na internet (52%). Mas a maioria deles (41%) lê tanto a versão impressa quanto a versão online dos jornais – em outros países existe a preferência pela versão impressa.
Para procurar notícias das empresas, os brasileiros preferem ler artigos em revistas de negócios (81%), jornais (79%) e noticiários na TV (77%).
Ao acessar a internet, a primeira procura envolve notícias e depois pesquisas. No Brasil, 93% vão atrás de notícias, 85% fazem pesquisa e e-commerce empatou com mensagens instantâneas (79%).
A credibilidade nos blogs chamou a atenção. A Rússia foi o país que mais mostrou credibilidade, com 34%, seguida pela China (33%), Índia (29%) e Brasil (21%). Quando entram na internet, 46% dos brasileiros já lêem blogs.