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Isso que aconteceu na terça-feira é o retrato do que vivemos no Brasil: uma busca louca por dar primeiro uma notícia sem a mínima responsabilidade de checar se ela é verdadeira ou não. Vejam abaixo o que saiu no portal comunique-se (www.comuniquese.com.br). Lamentável, mas isso parece ser uma coisa cada vez mais normal entre os veículos. É um exemplo do péssimo jornalismo que fazemos.
TV dá barriga e sites repercutem sem checar
O incêndio que atingiu na tarde da terça-feira (20/05) um prédio localizado em Moema, na zona sul de São Paulo, foi manchete, por alguns minutos, dos principais sites de notícia do País. O problema é que, na pressa para informar seus leitores, alguns veículos online se basearam em informação da Globonews de que um avião havia se chocado com o prédio e não tiveram o cuidado de checar.
“Avião atinge prédio em São Paulo” era uma das manchetes do Globo Online. Ao perceber o erro, minutos depois, o título mudou para "Incêndio atinge prédio em São Paulo". O UOL já foi mais categórico: “Avião da Pantanal cai na zona sul de São Paulo”.
A ombudsman do Portal, Tereza Rangel, não perdeu tempo. Lamentou que mal estreou a nova central de jornalismo e já caiu na tentação de copiar informação da TV.
“A ‘informação’ estava errada. Quando percebeu o erro, o UOL mudou o texto (sem alterar o horário), tirou o assunto da manchete e simplesmente adotou a fórmula "a informação inicial era de que um avião da Pantanal teria se chocado contra um prédio residencial, mas ela foi desmentida minutos depois pela Infraero, pelos Bombeiros e pela própria companhia". A ressalva não pode servir de desculpa para que não seja feita uma errata, até porque o título do texto afirmava, categoricamente, que o avião caíra. Se o UOL levou a ‘notícia’ à sua manchete é porque precipitou-se e, sem apuração própria, comprou a versão da TV, disseminando entre os internautas que houvera um acidente inexistente. A prática de cozinhar e assumir informações (certas ou erradas) da TV e rádio é comum em portais da Internet, mas não deveria ser adotada pelo UOL”.
Em resposta, o gerente de notícias do UOL, Rodrigo Flores, prometeu fazer uma errata.
Mario Vitor Santos, ombudsman do iG, também não deixou passar o erro. "O iG acaba de anunciar erradamente a queda de um avião em bairro residencial de São Paulo. A notícia ('Avião cai em bairro residencial de São Paulo') não se confirmou. O texto era lido a partir da manchete da capa do iG. Foi colocado como um link da manchete que anunciava um incêndio na capital. Minutos depois da notícia errada do desastre, mais grave ainda numa cidade já traumatizada por acidentes desse tipo nas imediações do aeroporto de Congonhas, a notícia foi retirada do ar. A manchete passou a anunciar um incêndio numa fábrica de colchões. O iG precipitou-se e errou. Deve ter confiado em quem não deveria. Atribuiu o erro à Infraero. Certamente não verificou a informação antes de levá-la ao ar. Precisa avaliar isso, e corrigir com o mesmo destaque dado ao falso acidente de avião. Além disso, precisa agora acompanhar correta e cautelosamente o incêndio que de fato parece ter existido".
A assessoria de imprensa da Infraero disse ao Comunique-se que em nenhum momento confirmou a notícia de queda de um avião.
A Central Globo de Comunicação informou em comunicado: “A respeito do incêndio ocorrido hoje à tarde em São Paulo, a Globo News, como um canal de noticias 24 horas, pôs no ar imagens do fogo assim que as captou. Como é normal em canais de notícias, apurou as informações simultaneamente à transmissão das imagens. A primeira informação sobre a causa do incêndio recebida pela Globo News foi a de que um avião teria se chocado com um prédio na região do Campo Belo, Zona Sul de São Paulo. Naquele momento bombeiros e Infraero ainda não tinham informação sobre o ocorrido. As equipes da própria Globo News constataram que não havia ocorrido queda de avião e desde então esclareceu que se tratava de um incêndio em um prédio comercial. Poucos minutos depois o Corpo de Bombeiros confirmou tratar-se de um incêndio em uma loja de colchões”.
Existem entidades que trabalham fortemente em busca da liberdade de expressão. No lado da imprensa, então, temos várias. A matéria publicada abaixo (do site www.comunique.com.br) mostra uma realidade cada vez mais assutadora. Sem o trabalho livre da imprensa, muitos países afundarão, já que não terão mais o auxílio externo de fiscalização dos direitos dos cidadãos. A matéria abaixo merece uma séria reflexão. Boa leitura!
Freedom House aponta declínio na liberdade de imprensa no mundo
Relatório que a organização Freedom House, entidade civil dedicada à promoção da democracia, apresenta na quarta-feira (30/04) em Washington aponta uma retração na liberdade de imprensa em todo mundo. “Para cada passo à frente, há dois passos para trás”, compara a diretora executiva da Freedom House, Jennifer Windsor.
O estudo Liberdade de Imprensa 2008: Uma Pesquisa Global sobre Independência da Mídia traça um mapa mundial baseado em dados do ano passado. Dos 195 países e territórios analisados, 72 (37%) foram classificados como Livres, 59 (30%) como Parcialmente Livre e 64 (33%) como Não Livres. O declínio da liberdade de imprensa em cada nação declinou em relação a 2006.
O passo adiante apontado por Jennifer Windsor encontra-se no Oriente Médio e na África do Norte. O estudo atribui a melhora a um crescente número de jornalistas comprometidos a fiscalizar os governos – e a criação de condições para a fiscalização – e avanços técnicos, como acesso à TV via satélite e internet.
Já o passo para trás está no Leste da Europa e nas ex-repúblicas soviéticas. Somente 18% da região vive em países com mídia livre. Rússia, Geórgia e Quirguistão apresentarão as maiores quedas nos índices. Na Ásia e Pacífico, as restrições se acentuam em Paquistão, Bangladesh e Sri Lanka.
Na África Sub-saariana estão três dos cincos rebaixamentos de categorias: Benin foi de Livre para Parcialmente Livre e África Central e Niger caíram para Não Livre.
Américas
Sobre as Américas, o estudo apresenta preocupações com a violência contra jornalistas no México e a transferência da Guiana para Parcialmente Livre. Na Europa, declínios em Portugal, Malta e Turquia – o único país Parcialmente Livre no continente.
O relatório será lançado oficialmente no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, 03/05. A apresentação de hoje, no recém-inaugurado Newseum de Washington, terá a exibição do Mapa da Liberdade de Imprensa 2008.