Introdução ao Jornalismo - Famecos

Esse blog é para divulgar alguns textos criados por alunos da cadeira de Introdução ao Jornalismo da Famecos / PUCRS. São as primeiras aventuras dos futuros comunicadores. O espaço serve também para uma discussão sobre a profissão.

Introdução ao Jornalismo - Famecos

Esse blog é para divulgar alguns textos criados por alunos da cadeira de Introdução ao Jornalismo da Famecos / PUCRS. São as primeiras aventuras dos futuros comunicadores. O espaço serve também para uma discussão sobre a profissão.
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Terra Blog

22.05.08

A briga pela audiência e o mau jornalismo

Isso que aconteceu na terça-feira é o retrato do que vivemos no Brasil: uma busca louca por dar primeiro uma notícia sem a mínima responsabilidade de checar se ela é verdadeira ou não. Vejam abaixo o que saiu no portal comunique-se (www.comuniquese.com.br). Lamentável, mas isso parece ser uma coisa cada vez mais normal entre os veículos. É um exemplo do péssimo jornalismo que fazemos.

TV dá barriga e sites repercutem sem checar
O incêndio que atingiu na tarde da terça-feira (20/05) um prédio localizado em Moema, na zona sul de São Paulo, foi manchete, por alguns minutos, dos principais sites de notícia do País. O problema é que, na pressa para informar seus leitores, alguns veículos online se basearam em informação da Globonews de que um avião havia se chocado com o prédio e não tiveram o cuidado de checar.
“Avião atinge prédio em São Paulo” era uma das manchetes do Globo Online. Ao perceber o erro, minutos depois, o título mudou para "Incêndio atinge prédio em São Paulo". O UOL já foi mais categórico: “Avião da Pantanal cai na zona sul de São Paulo”.
A ombudsman do Portal, Tereza Rangel, não perdeu tempo. Lamentou que mal estreou a nova central de jornalismo e já caiu na tentação de copiar informação da TV.
“A ‘informação’ estava errada. Quando percebeu o erro, o UOL mudou o texto (sem alterar o horário), tirou o assunto da manchete e simplesmente adotou a fórmula "a informação inicial era de que um avião da Pantanal teria se chocado contra um prédio residencial, mas ela foi desmentida minutos depois pela Infraero, pelos Bombeiros e pela própria companhia". A ressalva não pode servir de desculpa para que não seja feita uma errata, até porque o título do texto afirmava, categoricamente, que o avião caíra. Se o UOL levou a ‘notícia’ à sua manchete é porque precipitou-se e, sem apuração própria, comprou a versão da TV, disseminando entre os internautas que houvera um acidente inexistente. A prática de cozinhar e assumir informações (certas ou erradas) da TV e rádio é comum em portais da Internet, mas não deveria ser adotada pelo UOL”.
Em resposta, o gerente de notícias do UOL, Rodrigo Flores, prometeu fazer uma errata.
Mario Vitor Santos, ombudsman do iG, também não deixou passar o erro. "O iG acaba de anunciar erradamente a queda de um avião em bairro residencial de São Paulo. A notícia ('Avião cai em bairro residencial de São Paulo') não se confirmou. O texto era lido a partir da manchete da capa do iG. Foi colocado como um link da manchete que anunciava um incêndio na capital. Minutos depois da notícia errada do desastre, mais grave ainda numa cidade já traumatizada por acidentes desse tipo nas imediações do aeroporto de Congonhas, a notícia foi retirada do ar. A manchete passou a anunciar um incêndio numa fábrica de colchões. O iG precipitou-se e errou. Deve ter confiado em quem não deveria. Atribuiu o erro à Infraero. Certamente não verificou a informação antes de levá-la ao ar. Precisa avaliar isso, e corrigir com o mesmo destaque dado ao falso acidente de avião. Além disso, precisa agora acompanhar correta e cautelosamente o incêndio que de fato parece ter existido".
A assessoria de imprensa da Infraero disse ao Comunique-se que em nenhum momento confirmou a notícia de queda de um avião.
A Central Globo de Comunicação informou em comunicado: “A respeito do incêndio ocorrido hoje à tarde em São Paulo, a Globo News, como um canal de noticias 24 horas, pôs no ar imagens do fogo assim que as captou. Como é normal em canais de notícias, apurou as informações simultaneamente à transmissão das imagens. A primeira informação sobre a causa do incêndio recebida pela Globo News foi a de que um avião teria se chocado com um prédio na região do Campo Belo, Zona Sul de São Paulo. Naquele momento bombeiros e Infraero ainda não tinham informação sobre o ocorrido. As equipes da própria Globo News constataram que não havia ocorrido queda de avião e desde então esclareceu que se tratava de um incêndio em um prédio comercial. Poucos minutos depois o Corpo de Bombeiros confirmou tratar-se de um incêndio em uma loja de colchões”.

  • criado por  Fábian criado por Fábian
  • Postado em 17:56:07

02.05.08

Liberdade para a imprensa

Existem entidades que trabalham fortemente em busca da liberdade de expressão. No lado da imprensa, então, temos várias. A matéria publicada abaixo (do site www.comunique.com.br) mostra uma realidade cada vez mais assutadora. Sem o trabalho livre da imprensa, muitos países afundarão, já que não terão mais o auxílio externo de fiscalização dos direitos dos cidadãos. A matéria abaixo merece uma séria reflexão. Boa leitura!

Freedom House aponta declínio na liberdade de imprensa no mundo
Relatório que a organização Freedom House, entidade civil dedicada à promoção da democracia, apresenta na quarta-feira (30/04) em Washington aponta uma retração na liberdade de imprensa em todo mundo. “Para cada passo à frente, há dois passos para trás”, compara a diretora executiva da Freedom House, Jennifer Windsor.
O estudo Liberdade de Imprensa 2008: Uma Pesquisa Global sobre Independência da Mídia traça um mapa mundial baseado em dados do ano passado. Dos 195 países e territórios analisados, 72 (37%) foram classificados como Livres, 59 (30%) como Parcialmente Livre e 64 (33%) como Não Livres. O declínio da liberdade de imprensa em cada nação declinou em relação a 2006.
O passo adiante apontado por Jennifer Windsor encontra-se no Oriente Médio e na África do Norte. O estudo atribui a melhora a um crescente número de jornalistas comprometidos a fiscalizar os governos – e a criação de condições para a fiscalização – e avanços técnicos, como acesso à TV via satélite e internet.
Já o passo para trás está no Leste da Europa e nas ex-repúblicas soviéticas. Somente 18% da região vive em países com mídia livre. Rússia, Geórgia e Quirguistão apresentarão as maiores quedas nos índices. Na Ásia e Pacífico, as restrições se acentuam em Paquistão, Bangladesh e Sri Lanka.
Na África Sub-saariana estão três dos cincos rebaixamentos de categorias: Benin foi de Livre para Parcialmente Livre e África Central e Niger caíram para Não Livre.

Américas
Sobre as Américas, o estudo apresenta preocupações com a violência contra jornalistas no México e a transferência da Guiana para Parcialmente Livre. Na Europa, declínios em Portugal, Malta e Turquia – o único país Parcialmente Livre no continente.
O relatório será lançado oficialmente no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, 03/05. A apresentação de hoje, no recém-inaugurado Newseum de Washington, terá a exibição do Mapa da Liberdade de Imprensa 2008.

  • criado por  Fábian criado por Fábian
  • Postado em 14:49:07

18.04.08

Caso Isabella X Ibope

Aidna vamos falar em sala de aula sobre o caso Isabella. Assim que tudo acabar vamos discutir o papel da imprensa nisso. Mas vejam como o espetáculo criado está dando frutos. Sabendo disso, fica mais fácil entender o por que de tanto alarde. Fácil de entender, não aceitar. O texto abaixo é do portal Comunique-se (www.comuniquese.com.br).

Audiência de telejornais cresce até 46% com cobertura do caso Isabella

Daniel Castro, em sua coluna na Folha de S. Paulo, conta que a tragédia envolvendo a menina Isabella Nardoni, de cinco anos, morta em São Paulo em 6/04, colaborou para que a audiência de programas de TV crescesse até 46%. Ele cita o Brasil Urgente, da Band, como exemplo. O Jornal da Band chegou a atingir média de 7,5 pontos, um crescimento de 24%.
O Balanço Geral, da Record, registrou 25% de crescimento. A emissora, inclusive, deslocou 30 repórteres e produtores e 20 cinegrafistas para cobrir o caso.
Já a Globo, cuja equipe responsável pela cobertura é formada por 18 repórteres, oito produtores e 20 cinegrafistas, comemora um aumento de público de 9% para o Jornal Nacional, como o Jornal da Record, da emissora do bispo e empresário Edir Macedo.
Graças à cobertura do crime, na parte da manhã a Record assumiu a liderança.
A Band tinha de três a dez equipes (repórter e cinegrafista) se dedicando ao crime. Algumas vezes, chegou a ter mais cinco produtores. O SBT mobilizou quatro repórteres e sete cinegrafistas – em São Paulo há nove repórteres.

  • criado por  Fábian criado por Fábian
  • Postado em 22:39:01

13.04.08

Aqui Agora nem esquentou

Mais uma vez o Seu Sílvio Santos fez das suas. Pouco depois de trazer para o ar novamente o jornalístico Aqui Agora, ele deixa a grade de programação para dar espaço ao Chaves, Chiquinha e seu Madruga. Ele mesmo, o seriado Chaves assume o horário no SBT. A tentativa da empresa de fazer vingar o Aqui Agora esbarrava no Ibope, sempre baixo. E até porrada chegou a dar nos estúdios entre um dos âncoras e um produtor. Veja abaixo a nota divulgada pelo portal Comunique-se (www.comuniquese.com.br).

SBT demite 40 com o fim do Aqui Agora
Quarenta profissionais, entre jornalistas e produtores, de São Paulo, Brasília, Ribeirão Preto e Rio de Janeiro foram demitidos do Aqui Agora com a saída do programa da grade do SBT. No lugar do jornalístico, entrarão os seriados Chaves e As Visões de Raven.
Internamente, a surpresa é geral. Na quinta (10/04), os profissionais teriam sido avisados que a falta de um acompanhamento da audiência de outras emissoras no horário das 18h às 19h15 não era a principal dificuldade. Nesta sexta (11/04), jornalistas e produtores chegaram ao trabalho e foram demitidos.

  • criado por  Fábian criado por Fábian
  • Postado em 14:12:13

26.03.08

O Caso SÉRIO chamado Veja

Fazer jornalismo não é tão fácil quanto se imagina. Fazer o bom jornalismo então, é ainda mais complicado. No entanto, tem gente que consegue estragar o bom trabalho feito por gente que colocou a profissão em alta aqui no Brasil. O texto que estará no link abaixo merece reflexão. O Caso Veja como vem sendo chamado, foi escrito pelo jornalista Luiz Nassif. É importante, antes de mais nada, lembrar que todos têm seus interesses em uma situação como esta. No entanto, para nós, comunicadores, essa leitura é fundamental. O Caso Veja derruba por terra questões cruciais do jornalismo. Os critérios jornalísticos para a publicação de matérias e o filtro técnico são o que impedem, em última instância, as manipulações. Veja deixou isso de lado. Não é demais lembrar, como diz Nassif, que "o primeiro filtro sobre uma matéria é avaliar se os fatos relatados são verossímeis. Se passar nesse teste básico, é que se irá conferir se, mesmo sendo verossímeis, também são verdadeiros." Elementar, já diria o famoso detetive. No entanto, isso também foi abandonado pela revista.

Como já antecipei, o objetivo aqui não é fazer com vocês gostem ou desgostem da revista, mas ver, de frente, o que ela e alguns de seus jornalistas fazem para conseguir o que querem. E mais: a rede se forma com coleguinhas de outras redações, capazes de passar por cima de critérios éticos para não deixar seus parceiros na mão. Com isso, sabendo disso e prestando atenção na revista, vemos que, como diz Nassif,  "tornaram-se cada vez mais freqüentes as matérias absurdas, sem nexo, sem conhecimento básico sobre economia, finanças, valores, relações de causalidade. Sobre jornalismo, enfim."

Leiam e tirem suas próprias conclusões. É uma boa aula de jornalismo. Ou melhor, como NÃO fazer jornalismo. Esse debate precisa ser feito nas redações sob pena de vermos escorrer pelo ralo o conceito de seriedade que ainda temos junto ao público. Ah, postem aqui seus comentários... e boa leitura!

link: http://luis.nassif.googlepages.com/home

 

Aqui vai mais uma colaboração. O Blog Imprensa Marrom (http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/) traz uma longa e boa análise sobre uma das matérias da última edição de Veja. A matéria trata dos cartões corporativos, uma farra que foi feita pelos Governos com dinheiro público. Busquem o post do dia 22 de março com o seguinte título: VEJA: ASSESSORIA DE IMPRENSA DE FHC E AMEAÇA EXPRESSA AO GOVERNO ou DE COMO NÃO DAR UMA NOTÍCIA E "CULPAR" AS EVENTUAIS FONTES DE UM FATO GRAVÍSSIMO. Vale realmente a pena ler. É mais uma prova do mau jornalismo feito por esta revista brasileira. Cabe uma observação antes da leitura: o jornalista que assina o blog fala o que quer desde sempre. Nunca foi partidário petista, bem pelo contrário. Portanto, sua avaliação deve ser considerada séria.

  • criado por  Fábian criado por Fábian
  • Postado em 23:07:10